domingo, 9 de novembro de 2014

Luas de cá, luas de lá...



(sobre a beleza dos encontros, sobre a beleza do teatro capaz de transbordar fronteiras, tecer redes e teias lunares)

(por Camila)

Enquanto nós, do grupo Panacéia Delirante ensaiamos e gestamos 'Lua Cheia', a segunda fase do nosso ciclo Lunação, aqui em Salvador, lá na América Central 'Picadillo de Luna - Colectivo Experimental de Mujeres' apresenta seu segundo espetáculo, chamado 'Unipersonales Unidos'.

Entre a Bahia e a Costa Rica a ponte se chama Colectivo Âmbar: Jóvenes Artistas Escénicos y Promotores  LatinoAmericanos!

A lua cheia que veremos essa noite da costa atlântica do Brasil vai ser a mesma vista em San José?

No ano passado, alguns de nós, do Âmbar, nos encontramos no 'centro do mundo', em Quito, na casa do grupo Malayerba, para trabalhar sobre o Projeto Fronteiras, que agora reverbera nas latitudes ao norte e ao sul da imaginária linha...

Natália Durán, em San José, é parte do coletivo de mulheres Picadillo de Luna e apresenta uma das cenas originalmente escrita para a peça Fronteiras, agora em novas configurações. A mesma cena - mexida, editada, antropofagicamente devorada e reconfigurada - está compondo a dramaturgia da nossa Lua Cheia delirante...
 
Esse texto, que ganhou vida com a voz e o corpo de Nati, em Fronteiras, foi escrito por mim já faz é tempo, logo depois do segundo encontro do Colectivo Âmbar: sob influência do potente teatro do Grupo Yuyachkani, do Peru e com a finalidade de alimentar os delírios do Panacéia.

O texto foi escrito no início de 2011, no fim desse mesmo ano eu saí de outro grupo, o Toca de Teatro, pra ir morar na Costa Rica. O escrito ficou perdido num caderno, se fez verbo em outro contexto e agora retorna ao trabalho do grupo... De repente, parece que tantos fios soltos se encontram... E eu sei que se emaranham num desenho temporário, para depois seguir traçando outros rumos...

Ontem foi o dia da Lua Cheia de novembro e Mile, uma de nós, delirantes, tava lá em terras 'ticas', assistindo ao espetáculo lunar com sotaque hispânico. Eu, quase ao mesmo tempo, estava contemplando a lua sobre o pelourinho, celebrando com o Toca de Teatro, nossos amigos e companheiros de arte de longa data, o fechamento de mais um ciclo na trajetória do seu grupo, o retorno depois de longas viagens. Me emocionando com eles e, ao mesmo tempo, tecendo novos caminhos lunares...

Panacéia Delirante, Picadillo de Luna, Malayerba, Toca de Teatro, Yuyachkani, Colectivo Âmbar... Salvador, San José, Peru, Equador... São tantas as luas, tantos os céus... E entre eles vamos costurando redes, fiando caminhos entre saudades e planos, entre textos e obras, vontades, tropeços, encontros e despedidas...

E pra terminar: se já não fosse muita a sintonia, ainda calha que ‘Unipersonales Unidos’ é o segundo espetáculo do coletivo da Costa Rica, que Lua Cheia é a segunda fase do ciclo lunar do Panacéia e que o próximo encontro do povo Âmbar é no segundo FITLÂ, ano que vem!

E entre as voltas da lua, seguimos cantanto: feliz encontro, feliz despedida, feliz encontro outra vez...



Natália Durán Guier em cena em 'Unipersonales Unidos' (Costa Rica, 2014)

Natália Durán Guier e Milena Flick em cena em 'Fronteiras' (Equador, 2013)

Jane Santa Cruz durante mostra de processo para Lua Cheia (Salvador, 2014)

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

FITLÂ 2015 - Brasil



Planos para 2015?!

O Panacéia e o Colectivo Âmbar com certeza têm - e muitos!

Sobre os delírios do grupo vire e mexe publicamos as novidades por aqui, então vamos agora com a primeira grande ação do Âmbar para o ano que vem!

Logo depois do Carnaval em Salvador vai rolar na cidade a segunda edição do FITLÂ (Festival Itinerante de Teatro Latino-americano Âmbar), com artistas do Brasil, Costa Rica, Equador, Peru, Colômbia, Argentina e México! 


O FITLÂ teve sua primeira edição em 2013 em San José- Costa Rica e contou com artistas de 6 países da América Latina que levou para terra dos "Pura Vida" obras de sala, de rua, performances, oficinas e conversatórios.

Em 2015, teremos em Salvador: teatro, performances, mesas redondas, exibição de vídeos, exposições e oficinas gratuitas! Uma realização do Colectivo Âmbar e do grupo Panacéia Delirante em parceria com a Cardim Projetos e Soluções Integradas.

Para saber qual será a programação e sempre conferir as novidades do FITLÂ, confiram o blog do Âmbar e a página do festival no facebook.


quarta-feira, 22 de outubro de 2014


Há um par de semanas atrás, assistimos a montagem do grupo Clowns de Shakespeare de ‘Nuestra Señora de las Nuvens’, obra de Arístides Vargas do Teatro Malayerba. Uma alegria ver esse texto montado no Brasil pelo talentoso grupo potiguar que nesse ano está participando do projeto TCA Núcleo como grupo convidado pelo Teatro Popular de Ilhéus.

No meio da peça, encontramos isso aqui (com tradução nossa, a partir do texto em espanhol):

"Sou uma anciã que sempre tomou banhos de lua... Minha mãe, minha avó, em noites como essa tomaram banhos de lua. Posso ver seus corpos molhados pela luz da lua, como seus cabelos se alisam, como se fazem prateadas.

Temos que ter força suficiente para, em noites como essa, expor nossa nudez pra que se molhe de lua, ou então só teremos forças suficientes para fechar nossas janelas e nos sepultarmos cheios de temor em nossas casas trêmulas" 

'Hermosas' palavras de Arístides que passam a fazer parte do nosso arcabouço de referências para Lua Cheia. 

E nossos delírios seguem em processo!




Cena de 'Nuestra Señora de las Nubes' com o grupo Malayerba (Equador)

[pra conhecer mais, aqui: http://teatromalayerba.com/]




Cena de 'Nuestra Señora de las Nuvens' com o grupo Clowns de Shakespeare (RN)

[pra conhecer mais, aqui: www.clowns.com.br]
[e sobre a programação do TCA Núcleo 2014, aqui: http://tcanucleo2014.blogspot.com.br/]



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Conversa com Melissa Mardones

Estivemos um pouco sumidas dessas ‘paragens’, mas aqui estamos de volta ao nosso blog: firmes, fortes e Delirantes! Pra começar a falar um pouquinho do que já aconteceu e do que está em curso nesse ano de 2014, começamos pelo mais próximo.

Na semana passada, o grupo teve o prazer de receber para uma entrevista à Melissa Mardones, estudante de mestrado do Programa de Pós Graduação em Artes Cênicas (PPGAC)  – UFBA, sob orientação de Meran Vargens. Melissa está desenvolvendo uma pesquisa intitulada “Práticas colaborativas na criação cênica do Teatro de grupo: um discurso polifônico sob o olhar da dramaturgia cênica de grupos ativos em Salvador, Bahia” e vai acompanhar um pouco do percurso de trabalho de oito grupos em Salvador (Grupo Vilavox, Finos Trapos, A Outra Companhia de Teatro, NATA- Núcleo Afrobrasileiro de Teatro de Alagoinhas, Teatro Base, Panacéia Delirante, Toca de Teatro e Núcleo Viansatã).



Depois de um tempinho de troca de mensagens virtuais, esse foi nosso primeiro encontro, uma conversa gostosa e inspiradora! Estamos gratas pelo convite e muito contentes de fazer parte desse projeto que, com certeza, terá muito a acrescentar aos grupos de teatro da cidade.

Vamos que vamos!

Mais novidades, compartilhamos por aqui! 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Oficina - reverberações Laboratório Âmbar- México 2014

Os Grupos de Teatro Panacéia Delirante e o Viapalco viveram uma intensa experiência teatral nesse inicio de ano através do Laboratório Âmbar- México 2014. Estiveram presentes criadores cênicos, membros do Colectivo Âmbar de países como: Argentina, Costa Rica, Bolivia, Colombia, Perú e é claro Brasil.Com realização do Colectivo Âmbar- México, experienciamos um riquíssimo intercâmbio de culturas nas oficinas internas e demonstrações de trabalho bem como nos cursos: “O Signo Poético no Espaço Cênico”, propiciado por Shaday Larios, e “O Corpo Polisemico”, oferecido por Gerardo Trejoluna, reconhecidos artistas e multiplicadores de conhecimentos. Depois do México a Panacéia Jane Santa Cruz ainda foi para Costa Rica a convite do grupo El Baúl, onde passou por um intercambio cultural entre danças afro-brasileira e afro-caribenha. 


Voltamos para nossa terra e queremos compartilhar com os nossos essa profunda e transformadora experiência. Por isso, os criadores cênicos e multiplicadores teatrais: Jane Santa Cruz e Lílith Marques (Panacéia Delirante) e Agamenon de Abreu e Nayara Homem (Viapalco) darão oficina a partir dos conteúdos apreendidos nessa viagem ao centro e norte da América Latina. A oficina é aberta a interessados e será oferecida gratuitamente de 14 a 17 de abril, sempre das 8:30h as 12:30h, no Espaço Xisto Bahia. Inscrições podem ser feitas pelo link: 

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

E COMEÇAMOS!


O Panacéeia Delirante e o Grupo Via Palco representando a Delegação Brasileira do Colectivo Âmbar estão a todo vapor!
Na primeira semana do Laboratório Âmbar – edição México 2014, Jane Santa Cruz, Lílith Marques, Nayara Homem e Agamenon de Abreu estão em pleno contato com a prática teatral acerca dos objetos em uma viagem cheia de símbolos e revelações. Neste encontro a pesquisadora Shaday Larios, ministrante da oficina O Signo Poético no Espaço Cênico, nos propõe uma viagem ao universo da memória e da poesia evocada pelos objetos, e como este elemento pode ser suporte e protagonista para estética, dramaturgia e continente cênico.

Como sinal de boas vindas a esta terra mágica que é Jalcomulco (Vera Cruz), tivemos uma marcante recepção conduzida por Dário e Nidia anfitriões e donos do Raft "Kayak 360" México, um pequeno pedaço do paraíso onde estamos hospedados. Essa Boas Vindas foi celebrada com um ritual do fogo sagrado, uma cerimônia linda que uniu diversas culturas e manifestações de fé em uma mesma vibração onde o resultado foi o transbordamento de amor. Foi bonito de ver e sentir.

Aqui algumas fotos deste precioso lugar!




 Seguimos trabalhando e intercambiando cultura, referências e maneiras de fazer arte.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Os Grupos Panacéia Delirante e Via Palco vão representar o Brasil no México!


2014 Chegou!!!!


E depois de encerrar com chave de ouro a temporada do experimento cênico Lua Crescente o Panacéia resolveu tirar férias! Férias? Nãooooo!!!!

O Pancéia Delirante e o Viapalco Grupo de Teatro se preparam para uma viagem que será no mínimo inesquecível e de grande valia para o enriquecimento dos fazeres artísticos da nossa cidade. Os dois grupos irão representar o Brasil no evento chamado Laboratório Âmbar- edição México 2014! Sim, a Delegação Brasileira do Colectivo Âmbar rumo ao México muchach@s!

Após ter projeto aprovado pelo Edital de Mobilidade Artística (SECULT) 4 integrantes desses dois ativos grupos da capital baiana arrumam as malas para participar de dois cursos ministrados por grandes mestres das Artes Cênicas no México, Shaday Larios Ruiz e Gerardo Trejoluna. As Panacéias Jane Santa Cruz e Lílith Marques e os Via Palco Agamenon de Abreu e Nayara Homem deixarão as nossas terras tupiniquins para essa jornada. As malas terão bastante espaço porque a bagagem de volta será enorme! E para dividir essa experiência com os teatreiros da nossa terra, estão planejadas atividades de contrapartida para classe artística a partir do que for apreendido e experienciado nesse projeto de intercâmbio, pesquisa e formação artística.O evento é organizado pelo Colcetivo Âmbar (rede de artistas e promotores cênicos latinoamericanos). Além da Delegação Brasileira, esse encontro deverá contar com a participação de integrantes de artistas e grupos das Delegações de Costa Rica, Bolívia, Colômbia, Peru, Argentina, e do anfitrião do evento, México.

AGUARDEM POIS AS NOVIDADES APENAS COMEÇAM!

 Quer conhecer melhor o Colectivo Âmbar? É só clicar!

Também estamos no facebook

  

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Receita de Ano Novo

Receita de Ano Novo – Drummond

Para você ganhar um belíssimo Ano Novo
cor de arco
-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas 
sementinhas do vir-a-ver,
novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra
birita,
não precisa expedir nem receber mensagens

(planta ou recebe mensagens? passa telegramas?).


Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
por certo decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.


Para ganhar um ano-novo que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

Retrospectiva Delirante 2013 - Lua Crescente

Lua Crescente e o inicio da Lunação

Lunação: um ciclo lunar completo

Lunação é o nome que se dá a um ciclo lunar completo. Como já é sabido, o Panacéia Delirante pretende montar um espetáculo chamado A Face Oculta da Lua, com direção e dramaturgia coletivas. E enquanto não chegamos até a face oculta, decidimos delirar um pouquinho e começar a nossa própria Lunação. Assim, o grupo irá experimentar cenicamente caminhos de criação através da montagem das 4 fases lunares.
Atrizes no cenário de Lua Crescente 1ª temporada, Centro Cultural Ensaio. Foto: Ade Zeus

Em 2013 demos o start com a montagem da Lua Crescente, primeiro ciclo de nossa ‘Encenação Lunar’!

O experimento/peça curta foi construído no primeiro semestre de 2013 e apresentado ao público em junho do mesmo ano. Foram apenas três apresentações, realizadas no Centro Cultural Ensaio (Garcia), espaço de residência do Grupo. No elenco Camila Guilera, Jane Santa Cruz, Lara Couto e Lílith Marques, que também compartilham a direção. Os textos são de autoria de todas as panacéias, incluindo Milena Flick que atualmente se encontra fora do Brasil.

Jane Santa Cruz em Lua Crescente, 2ª temporada, Sala 5. Foto: Yuri Du Val

Essa primeira versão de Lua Crescente foi apresentada também em Quito, em julho de 2013, para os companheiros do Colectivo Âmbar – rede Latinoamericana do qual o Panacéia Delirante é membro.

Após cada apresentação foi realizado bate papo com o público a fim de abrir o processo de criação e ouvir sugestões, críticas e impressões. Esse material gerado nos impulsionou a continuar investigando Lua crescente e em novembro de 2013 voltamos a cartaz, agora com somente três atrizes no elenco: Camila Guilera, Jane Santa Cruz e Lílith Marques.



Jane Santa Cruz e Lílith Marques. 2ª Temporada. Foto: Yuri Du Val

Para essa segunda temporada de Lua Crescente, que teve 6 apresentações na Sala 5 da Escola de Teatro da UFBA, fizemos ensaios na praia de Amaralina e algumas modificações no roteiro das cenas. A personagem Mariana se tornou mais presente e a água e a areia chegaram com mais força enquanto elementos base da criação. Os bate papos com o público após cada apresentação continuaram e modificações provenientes de sugestões dos espectadores eram feitas a cada dia de espetáculo, de modo que sempre tínhamos uma criação nova para apresentar a cada semana de temporada.

O processo de Lua Crescente tem tomado rumo próprio. O experimento, que traz a temática das histórias de criação do mundo e do nascimento da personagem Mariana, vem crescendo por si só, pedindo novas cenas e desdobramentos.



Camila Guilera. 2ª Temporada. Foto: Yuri Du Val

O grupo se prepara para em 2014 mergulhar na criação da Lua Cheia, mas certamente Lua Crescente ainda mostrará que tem reverberações e coisas a dizer, afinal, num processo artístico de pesquisa nenhuma criação chega ao fim.O trabalho está sempre vivo, pronto para voltar a entrar em ebulição!
Confira em nosso álbum no facebook mais fotos da 2ª temporada de Lua Crescente: https://www.facebook.com/panaceiadelirante/media_set?set=a.675820262468599&type=1

O Panacéia Delirante agradece ao Centro Cultural Ensaio, na pessoa de Fábio Tavares, que nos proporcionou um espaço para a criação desde que iniciamos a parceria em 2012. Agradecemos ainda a Escola de Teatro da UFBA, a Fernando Santana, Bruno Guilera e Lucas Modesto, a Mateus Schimith e Gabriel Lyber – que nos auxiliaram com a operação de luzes da primeira e segunda temporada respectivamente – a Guilherme Weber e Luana Costa que realizaram a filmagem da segunda temporada, a Ade Zeus e Yuri Du Val – que fotografaram a primeira e segunda temporada respectivamente – e a todo o público que nos assistiu e colaborou com nossa pesquisa através dos bate papos e depoimentos escritos ou desenhados.

Em 2014 a lua de Mariana continuará a crescer! Axé!

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Retrospectiva Delirante 2013: Leituras Dramáticas

A Face Oculta da Memória: Ciclo de Leituras Dramáticas

Tendo regressado a Salvador, já no segundo semestre de 2013, o Panacéia Delirante se dedicou a realizar atividades na cidade. A primeira delas foi o Ciclo de Leituras Dramáticas A face Oculta da Memória: ação resultante do curso de dramaturgia ‘Memória y Olvido en la Acción Dramática’, tomado em quito-Equador, de 01 a 12 de julho de 2013, junto ao grupo Malayerba (ministrante: Arístides Vargas). A ação fez parte da contrapartida do projeto “A face oculta da memória: da experiência pessoal à dramaturgia de grupo”, contemplado com o edital de Difusão e Intercâmbio do Ministério da Cultura do Brasil.

O ciclo de Leituras dramáticas aconteceu durante o mês de outubro de 2013 e trouxe 5 textos inéditos, de autoria das atrizes do panacéia e de Fernando Santana – construídos a partir do curso tomado no equador. A ação integra, ainda, o projeto de pesquisa e investigação de A Face Oculta da Lua, no qual as atrizes do panacéia pretendem construir um texto dramatúrgico a cinco mãos.

As leituras aconteceram na Sala 5 da escola de teatro da UFBA e contaram com a presença de atores convidados, bem como das dramaturgas Adelice Souza e Paula Lice, que teceram comentários sobre cada textos numa roda de debates instalada após cada leitura.

Confira abaixo os textos apresentados:

À Beira do Cais - Fernando Santana

O texto apresenta a realidade de Andréia, uma garota de programa que vive à beira do cais e de Denise, sua irmã de consideração, que ela tenta proteger das corrupções diárias do meio em que se encontram. As duas vivem imersas na dura realidade do submundo, mas Andréia já está condenada à falta de esperança, com seus pés cravados no chão, enquanto Denise, vive a sonhar com a chegada de seu grande amor, à beira do cais.

Da esq. para dir.: Renata CAzumbá, Lílith Marques, Danilo Cairo, Daniel Calibam. Leitura À Beira do Cais: texto e direção de Fernando Santana
A leitura contou com a participação de Renata Cazumbá, Antônio Marcelo, Danilo, Cairo, Daniel Calibam, Jane Santa Cruz, Camila Guilera e Lílith Marques. A direção é assinada por Fernando Santana.



Contração – Jane Santa Cruz

O emocionante texto de Jane Santa Cruz dá voz à personagem Iami, um bebê fruto de um estupro. De dentro do ventre ela conversa com a mãe e com o público, durante as contrações do parto, e expressa de maneira poética seu manifesto pelo desejo de nascer.

A leitura com a participação das panacéias Lílith Marques (Iami) e Camila Guilera (rubrica-parteira. A Direção ficou a cargo da autora Jane Santa Cruz.
Lílith Marques na Leitura de Contração: texto e direção de Jane Santa Cruz

Febre – Milena Flick

Um texto surrealista e mágico de Milena Flick, que propõe um mergulho no universo do sonho e do ‘no sense’. Com alusões a Alice no país das maravilhas, histórias autobiográficas e sonhos pessoais ou escutados, o texto apresenta a personagem Mariana (de A Face oculta da Lua), desdobrada e transformada em Mariana 1, Mariana 2, Mariana 3 e Espelho. Borrando as fronteiras entre drama e literatura, estar acordado ou estar dormindo, lógica e caos, o texto Febre provoca o espectador em todos os sentidos. 
Daniel Calibam na leitura de Febre: texto de Milena Flick

Participaram da leitura os atores Danilo Cairo e Daniel Calibam (do grupo Toca de Teatro), Fernando Santana, e as panacéias Jane Santa Cruz, Lílith Marques e Camila Guilera (que assina a codireção junto a Milena Flick).



Girassóis afogados no uísque – Camila Guilera

O texto traz as personagens Maria e Mariana, avó e neta, que tecen uma interessante teia de lembranças e criação sobre a relação familiar, o afeto, despedida e a finitude das pessoas e das coisas. Nos faz retornar a um tempo outro e perceber que somos feitos de lembranças e esquecimento.

No elenco Lílith Marques e Jane Santa Cruz se revezaram na leitura das duas personagens e rubricas. Camila Guilera assinou a Direção.
Jane Santa Cruz e Lílith Marques na leitura de Girassóis afogados no Uísque: texto e direção de Camila Guilera


Maré – Lílith Marques

Também com alusões ao universo do fantástico e do sonho, das fronteiras borradas entre a realidade e a ficção, o texto traz a presença de Mariana, Lílith e Eva. Uma mulher é o ponto central da trama. Visitada por outros 4 personagens durante uma noite na praia, essa espécie de heroína traça uma jornada interior de recordação e autoconhecimento. A praia é apresentada como esse espaço mitológico, arquetípico, simbologia da própria alma humana, onde se passam os conflitos e os processos de cura.

No elenco: Edvard Passos, Gabriel Lyber, Mirella Matteo, Laura Sarpa e as panacéias Jane Santa Cruz e Camila Guilera. A direção esteve a cargo da autora Lílith Marques

Camila Guilera Leitura de Maré: Texto e direção Lílith Marques


O Ciclo de Leituras Dramáticas apontou para o grupo muitos horizontes de continuidade e investigação para o processo de A Face Oculta da Lua. Foi um imenso prazer poder compartilhar todo esse processo de aprendizado e de criação com atores parceiros, com as dramaturgas convidadas (Paula Lice e Adelice Souza) e com o público que mais uma vez se mostra como agente vital em nosso processo de criação de grupo. Expressamos assim, nossa enorme gratidão a todos que participaram, aos atores convidados, ao grupo Toca de teatro, as dramaturgas convidadas, a Escola de Teatro da UFBA e ao nosso financiador, o Ministério da Cultura (Governo Federal e Fundo Nacional de Cultura).

Comunicamos a todos que em breve os textos estarão disponibilizados na íntegra para consulta/download neste blog.

domingo, 29 de dezembro de 2013

Retrospectiva 2013 - Intercâmbio nas Alturas!

INTERCÂMBIO NAS ALTURAS

Chegando próximo ao meio do ano, o grupo realizou duas ações de intercambio nas alturas da linda cidade de Quito, Equador.

Taller de Dramaturgia


A primeira foi a participação no “II Taller Internacional de dramaturgia Memoria y olvido en la acción dramática, ministrado por Arístides Vargas e realizado pelo Teatro Malayerba”. O taller aconteceu entre os dias 01 e 12 de julho de 2013. Participaram quatro atrizes do Panacéia delirante e mais o dramaturgo baiano Fernando Santana, além de companheiros de outros países da América Latina. A participação do Panacéia Delirante, bem como de Fernando Santana no curso foi financiada pelo Ministério da Cultura através do Edital de Difusão e Intercambio 2013.

Agradecemos a colaboração de Fernando Santana, Daysi Sánchez, Arístides Vargas e ao financiamento provindo do Governo Federal e do Fundo Nacional de Cultura.

Fronteiras

Cartaz do espetáculo Fronteiras
Após o curso, em julho de 2013, 4 atrizes do Panacéia Delirante, Camila Guilera, Jane Santa Cruz, Lílith Marques e Milena Flick, permaneceram em Quito a fim de iniciar o processo de produção e montagem do espetáculo Fronteiras, iniciativa do Colectivo Âmbar em coprodução com o Panacéia Delirante e o teatro Malayerba, sob o apoio financeiro do fundo para as artes Iberescena. O “Proyecto Fronteiras” vinha sendo gestado desde 2012, mas sua realização se deu entre julho e setembro de 2013. Estiveram participando 14 artistas de 6 países da América Latina, 12 deles membros do Colectivo Âmbar. 
Casa de Teatro Malayerba - Quito, Equador
O grupo formado pelos 12 membros do Âmbar provenientes do Brasil, Peru, Argentina, Equador, Costa Rica e México esteve trabalhando por dois meses intensivos na casa Malayerba, junto ao diretor e dramaturgo Arístides Vargas. Também tivemos encontros de criação/produção com outros membros do grupo Malayerba como Charo Francès, Gerson Guerra, Daysi Sánches e Helena Vargas.

Foi realizada uma verdadeira ocupação da casa Malayerba, localizada próximo ao parque La Alameda, em Quito. Os três andares da casa, incluindo espaços como banheiros, cozinha e camarim, foram ocupados com cenas e instalações resultantes do processo labiríntico do espetáculo, que se iniciava do lado de fora da casa e se concluía no palco localizado no terceiro andar. Cenas provenientes de sonhos encenados, recordações, histórias de nossas avós e provocações sobre o questionamento ‘que tipos de fronteiras existem no mundo?’ eram distribuídas nos mais diversos espaços da casa Malayerba e aconteciam, inclusive, simultaneamente. O público ingressava em três grupos distintos de 15 pessoas max. por grupo. Cada grupo ingressava na casa com um intervalo de aprox. 6 minutos de diferença, encontrando-se somente durante as cenas finais localizadas no palco.

O espetáculo trazia cenas em português, em espanhol e em portunhol.
Encenação de um sonho com Lílith Marques e Milena Flick: processo de criação de Fronteiras

Camila Guilera improvisa junto a Ruben Dario (equador) e Natalia Durán (Costa Rica) sobre as fronteiras territoriais e de linguagem: processo de criação de Fronteiras

Lílith Marques (ao fundo) e Jane Santa Cruz (a frente): processo de Criação de Fronteiras
 Os participantes do Âmbar atuaram e elaboraram os elementos técnicos de cenário, figurino e luzes. A dramaturgia foi coordenada por Arístides Vargas junto a um grupo de 4 membros âmbar, dentre os quais estava Camila Guilera, do Panacéia Delirante. Na equipe de Luzes estava Jane Santa Cruz, na de figurinos Milena Flick e na de cenários Lílith Marques . A produção esteve a cargo do Panacéia Delirante em conjunto com Daniela Chávez e Daysi Sanches.
Camila Guilera interpreta a 'Ama de Chaves' : personagem guardião dos mistérios da casa e guia do público durante o espetáculo Fronteiras.

Milena Flick: cena das Aduanas, Fronteiras

Fronteiras ficou em cartaz em Quito durante o mês de agosto de 2013 e participou ainda do Festival Internacional de Manta (costa equatoriana), em setembro de 2013.

Uma experiência maravilhosa que marcou a história do grupo.

Agradecimentos aos companheiros Âmbar, aos integrantes do Teatro Malayerba, aos estudantes do Laboratório Malayerba, Julián Francés, Embaixada do Peru, Fundo para as Artes Iberescena e fundação Yupana. Y a La casa Mariscal! Lugar no qual moramos durante a estadia em Quito e que deixou muitas recordações.